14.3.10

PROJETO PARA O BAIRRO DO COMÉRCIO DE SALVADOR

PROJETO PARA O BAIRRO DO COMÉRCIO DE SALVADOR



OBRA DE LELÉ


João Filgueiras Lima (Lelé)" ...





Incentivos fiscais mudam feição do antigo Comércio

Com menos de 5 anos de existência, o Escritório de Revitalização do Comércio da Prefeitura de Salvador já conseguiu atrair para a região, antes praticamente abandonada, cinco empresas de call center, que geram 13 mil postos de trabalho diretos, quatro faculdades, onde estudam 6.500 alunos, além de novos restaurantes, lojas, hotéis e serviços. A exemplo do Hilton, dois outros grandes grupos do setor hoteleiro, Txai e Fasano, também estão apostando na implantação de mega-empreendimentos na área, que já é uma das mais valorizadas na cidade.

As mudanças no Comércio e áreas adjacentes devem-se à política de incentivos oferecidos desde 2005 pela Prefeitura de Salvador, através da Secretaria Municipal da Fazenda, que reduziu de 5% para 2% o percentual do ISS para empresas que se instalam na região e garantiu isenção das taxas de IPTU e ITIV. O resultado tem sido a intensificação da ocupação da área na qual quase não há imóveis disponíveis para compra ou aluguel.

Vários fatores levaram ao desaquecimento da economia do Comércio a partir da década de 80 e até 2004. As principais causas apontadas para o declínio do bairro são a falência do setor cacaueiro e dos bancos baianos, a transferência de instituições financeiras para a região do Iguatemi e a centralização dos órgãos públicos no Centro Administrativo da Bahia.

Como resultado do abandono, muitas salas comerciais da região passaram a ser alugadas pelo simples valor do pagamento do IPTU e das taxas de condomínio. Hoje, uma sala em bom estado é alugada em média por R$ 13 o metro quadrado.

Vocação turística

Localizada no entorno da Baía de Todos os Santos, a área do Comércio reúne alguns dos mais famosos cartões-postais da capital baiana, a exemplo do Elevador Lacerda, Mercado Modelo e Solar do Unhão, o que torna natural sua vocação para atividade turística.

Nos últimos três anos, o Comércio vem atraindo grupos hoteleiros como Hilton, Accor e, mais recentemente, o Txai e o Fasano, que já adquiriram imóveis para implantar seus projetos em Salvador. De acordo com o Escritório de Revitalização do Comércio, o grupo Txai comprou 100 imóveis de uma área que vai do Areal de Baixo, no Dois de Julho, à Avenida Contorno. Já o Fasano, adquiriu o Trapiche Adelaide Restaurante e Eventos para construir um dos hotéis mais luxuosos do país.

A infra-estrutura turística ganhará reforço com a transformação do Armazém 1 da Companhia de Docas da Bahia (Codeba) em terminal marítimo, dotado de alfândega, dois restaurantes e diversas lojas e cafeterias, além de área de descanso com cyber café. O projeto é fruto de convênio entre a Prefeitura de Salvador, através do Escritório de Revitalização do Comércio e a Codeba.

O Porto de Salvador recebe por ano 110 transantlânticos, sendo 70% dos visitantes provenientes do Brasil e o restante na maioria das vezes turistas da Europa e da América do Sul. A proposta é que com o novo terminal não aumente só o número de turistas como a quantidade de dias em que eles permanecem na cidade.

Hoje, os passageiros dos transatlânticos ficam na cidade por 6 ou 7 horas. A estimativa é que, a partir da reestruturação dos equipamentos turísticos da região, eles permaneçam em salvador pelo menos por dois dias, aumentando seus gastos e movimentando a economia da cidade, através da geração de novos negócios e ampliação do número de empregos.

Forte São Marcelo

Em 2006, o Forte São Marcelo, edificado no século XVII na Baía de Todos os Santos para evitar a invasão estrangeira, foi entregue à população de salvador totalmente restaurado pela Prefeitura Municipal. Hoje, é um dos locais mais visitados, tanto por turistas quanto por baianos. Quem visita a fortaleza entra em contato com a história da Bahia e a evolução da cidade, a partir de exposições fotográficas e virtuais e, principalmente, da preservação das instalações arquitetônicas.

O visitante poderá também conhecer os pratos preparados pelos piratas e provar da culinária nordestina, no restaurante temático Bucannero, que fica aberto das 18 até 1 hora da madrugada.

A reforma do forte, que integra o projeto de revitalização do bairro do Comércio, incluiu a limpeza para a retirada de fungos e mofo, revestimento com argamassa em toda a estrutura e pintura com tinta à base de sílico, o que impede o surgimento de camadas impermeáveis, evitando que a tinta se desprenda da parede pelo contato com a água e exposição ao sol.

Também foram pintadas as paredes internas e externas das celas e colocadas novas portas e janelas, além de recuperadas as instalações elétrica e hidráulica, bem como se desenvolveu um processo de impermeabilização da cobertura do torreal central. Houve ainda a colocação de um corrimão no anel central, além de implantação de iluminação cênica, que permite a visibilidade do monumento durante a noite.
O Comércio está passando por uma série de transformações que prometem assegurar a revitalização do bairro e impulsionar a geração de emprego e renda em Salvador. Além da presença do grupo português Imocom, que vai trazer o Hotel Hilton para Salvador, grupos da Espanha e da França já sinalizaram interesse em sediar empreendimentos no bairro. Empresários italianos e norte-americanos também estão na lista dos interessados em confirmar a presença no Comércio.

Sem esquecer de nomes nacionais como a construtora Cyrela e a Andrade Mendonça que estão mudando a sede para o bairro. A informação veio do diretor geral do escritório de revitalização do bairro do Comércio, Marcos Cidreira, que revelou que o bairro já compartilha de quatro faculdades com mais de 6,5 mil alunos, 15 call centers empregando mais de 13 mil pessoas, além as 39 varas do TRT. Além disso, a Bahiatursa vai se mudar para a área, segundo o secretário de Turismo, Domingos Leonelli

De acordo com Cidreira, o foco do projeto está centrado em oferecer um mix de serviços, incluindo lazer, gastronomia, entretenimento, turismo, hotelaria, além de residências de luxo e apart hotéis. “O bairro do Comércio é o local ideal para esses tipos de atividades, não só por sua localização entre a Baía de Todos os Santos e o Centro Histórico, considerado patrimônio da Humanidade, mas também por dispor de infra-estrutura, sem esquecer que o projeto de revitalização segue uma tendência mundial de investir nas recuperações de seus centros históricos”, esclarece.

Cidreira revela que o governo municipal está dotando a região de atrativos para assegurar a atração de empresas e indústrias para a área. “Os incentivos fiscais são o carro chefe do projeto, a Prefeitura do Salvador abriu mão de impostos reduzindo o ISS de 5% para 2%, o que representa no final das contas um desconto de 60%, além disso está promovendo uma melhor limpeza na região, com iluminação e transporte, criando mecanismos para incentivar a segurança no bairro”, diz.

Ainda não foi resolvido o impasse na negociação em torno da ampliação do Porto de Salvador, Bahia / Brasil. Os governos estadual e federal estão decididos a realizar uma licitação para ampliar o sistema de atracação que dará viabilidade não somente ao escoamento do que produz a economia baiana, como, também, realizar o projeto da Via Portuária, principal obra em Salvador nos últimos 20 ou 30 anos, com investimentos previstos no PAC. Atualmente, o porto de Salvador é considerado obsoleto. Acontece que o atual prefeito está decidido a não aprovar nenhuma obra maior no porto. Está convencido de que a área é eminentemente turística. Tem projeto para retirar os velhos armazéns para mudar a imagem e abrir a Cidade Baixa ao mar. O prefeito deseja que investimentos para melhorar o escoamento da produção da economia da capital seja feito em Aratu.

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